TEXTÃO (Sobre o Papa, suas declarações e “nós”) Vale ler!

Ser Papa é algo possível apenas a uns pouquíssimos homens ao longo de toda a história. O Senhor, porém, nos chama todos a ser santos, e nos deu a autoridade paternal do Papa para que por ela também fôssemos santificados.

Como toda a autoridade, boa em si mesma, pode ser mal exercida, nem por isso estamos desobrigados de deveres filiais de respeito e piedade, seja para com nosso pai, seja para com o Papa.

Portanto, se tudo o que temos para cobrir sua nudez pode parecer não mais do que um guardanapo, nem por isso apontemos com o dedo aquilo que não podemos cobrir.

Lembremo-nos de que somos chamados não a ser papas, mas a ser santos, e que, se os maus papas passam, os santos ficam. Parte dessa nossa busca de santidade passa por suportarmos certas situações causadas pelas autoridades que nos são constituídas, e buscarmos em Deus e em sua Igreja, i. e., no testemunho dos santos que habitam com Aquele em quem não há trevas nem sombra de mudança, as forças para tanto.

Em suma: se quanto ao próximo devemos calar, se não podemos louvar, e se devemos tentar compreender o que fala; quanto ao Papa esse dever é mais grave ainda.

Se esta segunda opção se encontra além das nossas forças, porém – e aparentemente assim tem parecido a muitos -, repito: nem por isso devemos acusar aquilo que não podemos cobrir.

Pelo contrário, devemos nos esforçar mais ainda por ser santos e nos tornarmos semelhantes a Cristo. Devemos ter mais auto-crítica e desejos de santidade, e menos críticas ao Papa.

Aliás, nenhuma crítica pública devemos ter, apenas cada um deve limitar-se a discordar respeitosa e filialmente de ensinamentos nas matérias que não são de fé e moral e, nas pastorais, limitarmo-nos, quando nos flagrarmos ofendidos, ao melhor companheiro para esse momento: o silêncio, sem nos defendermos, caso nos sintamos ofendidos num nível pessoal, mas tratando de defender a verdade oportuna e prudentemente, sem jamais fazê-lo de maneira a sugerir a existência de polêmica com o Santo Padre. A divisão dentro da Igreja não é a vontade de Deus.

Por isso aliás, jamais devemos cair na esparrela de reagir às reportagens da mídia que usam as palavras do Papa para causar divisão dentro da Igreja. O silêncio é o máximo que os inimigos dela merecem, e o rebuliço parece ser exatamente aquilo que desejam.

Sugiro que não nos metamos mais em confusões em torno das declarações do Papa. É inútil e contraproducente. Busquemos a unidade onde ela está: o Espírito de Deus sopra onde quer, e se achamos que não está soprando nas entrevistas do Papa, rezemos para que sopre. Afinal, não me consta que elas integrem o depósito da fé.

Sou um simples cristão e isto é, até onde posso ver, o que parece bom cumprir, e me esforçarei por, e pedirei a Deus que seja capaz de, fazê-lo. Deus nos abençoe.

(Marcos Paulo Fernandes de Araujo)

Fonte: Paraclitus