Bispos do Chile encontram o Papa: espírito de comunhão pra retratar desafios do país

O Papa recebeu os bispos com “simplicidade e abertura excepcional”

20/02/2017 15:59

Cidade do Vaticano (RV) – Na manhã desta segunda-feira (20), o Papa Francisco não fez a reflexão matutina na Casa Santa Marta, mas recebeu os bispos da Conferência Episcopal do Chile em visita “ad Limina”. Entre os participantes, o presidente, Dom Santiago Jaime Silva Retamales, e o arcebispo da capital do país, Cardeal Ricardo Ezzati Andrello.

O encontro durou cerca de três horas. O Card. Andrello comentou que os bispos abordaram os problemas enfrentados no Chile com “muita simplicidade e com uma abertura excepcional, sinal da reforma da Igreja” do Papa, do “sentido de comunhão”:

Card. AndrelloAbordamos problemas concretos de um povo que é secularizado, pensando a como se evangeliza esse povo secularizado; de um povo que é governado fundamentalmente por pessoas que não são crentes, mas que são abertas, com boa vontade para acolher inclusive a mensagem da Igreja. Conversamos sobre alegrias, mas também sobre sofrimentos: a alegria, por exemplo, de ver a Igreja do nosso país com devoção popular, especialmente pela Nossa Senhora e pelos Santos, de uma força incrível. Basta pensar que a devoção à Nossa Senhora de Carmem está presente do deserto, no norte, ao frio, no sul. Falamos sobre o clero, a formação dos seminaristas, os jovens que hoje precisam ser escutados: o Papa nos falou da “pastoral do ouvido”, caminhar com eles, escutando-os e anunciando a novidade de Jesus Cristo.

Sobre as dores vividas no país e pela Igreja, o Card. Andrello disse que o tema da pedofilia foi um outro argumento tratado “com muita sinceridade” na audiência com o Papa. A questão foi abordada com a capacidade de “estar vigilantes aos problemas e às injustiças que, quando se trata sobretudo de pedofilia, são faltas gravíssimas concernentes aos direitos humanos e são inclusive um grave pecado perante Deus”.

Card. AndrelloO Papa nos contou que, uma vez, saindo do metrô de Buenos Aires, numa praça cheia porque tinha uma manifestação, havia um casal com o seu filho, e os pais gritaram à criança: “Vamos embora porque têm pedófilos”. O Papa se sentiu mal naquele momento, mas nos disse: “Vejam até que ponto pode chegar uma mentalidade que vê o mal em todo lugar”. Então, ele nos convidou a superar também essa situação.

A audiência com o Papa foi uma oportunidade para abordar a questão dos Mapuches, índios que hoje vivem principalmente em zonas urbanas, mesmo mantendo vínculo com as comunidades de origem. O povo indígena luta, porém, pela recuperação do território ancestral e pelos direitos perante o Estado. “Tenho certeza que o povo Mapuche tem todas as qualidades e as possibilidade para poder dialogar com o Estado chileno: é um povo maduro que tem convicções e formação profundas”, disse o prelado que também comentou sobre os desejos da Igreja para o futuro do país:

Card. AndrelloPodemos caminhar definitivamente pela estrada da reconciliação profunda que não esquece os fatos: esquecer seria esquecer a história que é mestre de vida. Mas a reconciliação significa ir também mais a fundo nos fatos. Eu acredito que os valores e a mensagem do Evangelho nos convidam a reconhecer as situações, sobretudo a falta perante os direitos humanos que acabou fazendo um grande dano, e continua fazendo, mesmo depois de 40 anos dos fatos do regime Pinochet. Mas significa também a vontade do perdão na consciência, daquilo que se perdoa e é gratuito: o perdão é sempre gratuito. Unir a verdade com uma estrada  nova de construção do futuro. (AC)

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