Papa fala sobre o primeiro mandamento aplicado ao sacerdócio

Francisco propôs aos padres uma reflexão em torno do mandamento: “Amarás ao Senhor com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças”

O Santo Padre recebeu ao final da manhã deste sábado, 1º, na Sala Clementina, cerca de 160 membros da Comunidade do Pontifício Colégio Espanhol de São José, em Roma, por ocasião dos 125 anos de fundação.

A obra foi instituída pelo bem-aventurado Manuel Domingo y Sol, fundador da Irmandade de Sacerdotes Operários Diocesanos do Sagrado Coração de Jesus.

“Esta instituição nasceu com o intuito de ser ponto de referência para a formação do clero. E pressupõe-se ser capazes de aproximar-se com humildade do Senhor e perguntar-lhe: ‘Qual é a vossa vontade? O que quereis que eu faça?’”

A resposta, afirmou Francisco, nós já sabemos, mas seria bom recordá-la. Assim, propôs para a reflexão dos presentes três palavras extraídas da Lei, com as quais Jesus respondeu ao Levita: “Amarás ao Senhor com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças”.

“Amar com todo o coração significa fazê-lo sem reservas e sem rugas, sem interesses ilegais e sem buscar a si mesmo para o bem pessoal. A caridade pastoral supõe ir ao encontro do outro, compreendendo-o, acolhendo-o e perdoando-o de coração. Porém, sozinhos não podemos crescer nesta caridade”, explicou o Papa.

Por isso, acrescentou o Pontífice, “o Senhor nos chamou para viver em comunidade, de modo que esta caridade possa congregar todos os sacerdotes com um vínculo especial no ministério e na fraternidade. Para que isto seja possível, devemos contar com a ajuda do Espírito, com o combate ao individualismo, mas mediante a unidade na diversidade”.

Depois o Papa explicou a segunda parte, “Amar com toda a alma”, ou seja, estar dispostos a oferecer toda a nossa vida, como dizia o Fundador do Colégio Espanhol. Por isso, segundo o Papa, a formação de um sacerdote não deve ser apenas acadêmica, mas deve servir para crescer no discernimento e aproximar-nos de Deus e dos irmãos.

Por fim, Francisco explicou a terceira resposta de Jesus ao Levita: “Amar com todas as forças”.

“Não se pode contentar em ter uma vida organizada e cômoda, mas manter uma adequada relação com o mundo e com os bens terrenos, renunciando às coisas supérfluas, mediante a confiança na Providência Divina, para estar mais próximos dos pobres e dos frágeis”.

O Santo Padre concluiu exortando os presentes a “serem testemunhas de Jesus, através da sensibilidade e austeridade da vida, para ser promotores críveis de uma verdadeira justiça social”. E se despediu pedindo à Comunidade espanhola para fugir da “peste do carreirismo eclesiástico”.

Fonte: Rádio Vaticano

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