“Depois de confessar, chorei”

Sergio Argüello Vences 

 A emoção de um padre ao lembrar que ele é só um instrumento de Deus

Tenho a felicidade de meu sacerdócio ser uma grande bênção. Desde que fui ordenado, recebi mil sorrisos para cada vez que fui mal tratado. Se, neste momento, o Senhor me chamar à sua presença, não terei muito o que lhe entregar. Sinto que iria com as mãos vazias.

Quando leio sobre a vida de um santo ou escuto sobre o quanto os sacerdotes e religiosas são admiráveis, valentes e devotados, descubro que Jesus Cristo ainda não me pediu muito. De fato, Ele me deu mais recompensas do que sacrifícios.

Mas também reconheço que, como um jovem sacerdote que sou, ainda tenho muito o que aprender. E Deus me deu uma grande lição ontem, quando fui confessar na catedral.

Cheguei mais cedo ao confessionário; preocupei-me em estar apresentável e com um sorriso no rosto. Enquanto eu ouvia as confissões, mostrava muita atenção e compreensão. Tudo corria muito bem. Por dentro, me sentia muito orgulhoso, estava sendo um bom padre, cumpria as minhas atividades e me esmerava por fazer isso bem.

Neste momento, chegou uma jovem. Enquanto ela se ajoelhou, suas lágrimas começaram a escorrer. Eu fiquei muito comovido e me esforcei para ouvir com muito cuidado e poder ajudá-la. Ao final da confissão, inclusive, ela estampava um sorriso no roso. Senti-me muito orgulhoso de mim mesmo, pois havia feito um bom trabalho e a ajudei.

Mas o bom Deus tinha me preparado uma aprendizagem. Quando esta pessoa se despediu, ela beijou a minha mão, me abraçou e, com imensa alegria, me disse: “Vim para buscar Jesus e o encontrei. O próprio Jesus me perdoou”…

Fiquei paralisado. Há apenas alguns segundos, eu tinha me dado todo o crédito, pensando: “Que bom sacerdote sou”. Mas notei nos olhos dela que, na verdade, ela não beijava a minha mão, não abraçava a mim, não se dirigia a mim… e comecei a chorar.

Eu me lamentava porque tinha me enchido de orgulho por ser um bom sacerdote. Diante de Jesus, fiquei com pena de mim mesmo por tão rapidamente ter me esquecido que a graça é dele, que a obra não sou eu, que eu sou somente um instrumento.

Lembrei-me de que há tempo eu vinha recebendo felicitações e tomando como minhas as demonstrações de carinho. Eu cheguei a me sentir merecedor de todas elas e, quando não as recebia, pensava com tristeza: “Hoje não me disseram nada”.

Quando penso em como o Senhor me resgatou, em como Ele me perdoou, na imensa paciência que tem tido comigo e na grande honra de ter-me feito seu sacerdote, sou acometido pela emoção; não encontro razões para estar onde estou. Sou tão indigno disso tudoE começo a me lembrar dos meus pecados terríveis, da minha arrogância, do quão fraco e imprudente sou…

O mundo precisa de sacerdotes santos e fortes. Estou em curso, com todos os meus pecados e as minhas fraquezas; sinto-me um padre tão fraco quanto a árvore nova, recentemente plantada.

Mas a esperança se volta a mim com estes maravilhosos ensinamentos que Deus me proporciona, que me fazem redescobrir que Sua força se manifestará esplendidamente na minha fraqueza, que eu não estou sozinho, que não produzirei sozinho meus frutos sacerdotais, mas com Deus. A mim, tão somente fica a incumbência de me entregar.
De todo o resto Deus se encarregará – e o fará muito bem.

Depois de chorar, lembrei-me do belo sorriso daquela jovem, e senti Deus dizendo: “Não seja tão duro consigo mesmo. Fomos nós dois que fizemos esta moça dar aquele abraço de misericórdia e amor. Sem você, eu não poderia fazê-lo. Você está em minhas mãos, confie.”

Que grande és, Senhor. Tu me presenteias o sacerdócio, Tu fazes tudo e, além disso, me dás a impressão de cooperar contigo! Glória seja dada a Deus!
Padre Sergio

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