Pe. Milton fala sobre documento “Amoris Laetitia”

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Diletas famílias da Renovação Carismática Católica, povo santo reunido em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo: para vós, graça e paz (cf. 1Ts 1,1).

O Santo Padre, o Papa Francisco, na Solenidade de São José de 2016, publicou a Exortação Apostólica Pós-Sinodal Amoris Laetitia (A Alegria do Amor), sobre o amor na família. Esta Exortação Apostólica era muito aguardada dentro e fora da Igreja e é resultado das assembleias sinodais de 2014 e 2015. O conteúdo desta Exortação deve ser amplamente difundido e estudado, principalmente entre os grupos que se ocupam com a evangelização das famílias. Portanto, nosso Ministério para as Famílias deve ser eco da voz da Igreja.

O Papa apresenta sua Exortação Apostólica como uma boa notícia: “A alegria do amor que se vive nas famílias é também o júbilo da Igreja. Apesar dos numerosos sinais de crise no matrimônio o desejo de família permanece vivo, especialmente entre os jovens, e isto incentiva a Igreja. Como resposta a este anseio, o anúncio cristão sobre a família é verdadeiramente uma boa notícia” (n.1).

A experiência dos dois últimos sínodos ajudou a Igreja analisar a situação das famílias no mundo atual, alargar a perspectiva e reavivar a consciência sobre a importância do matrimônio e da família. A reflexão proposta não esgotará todos os temas, que são muito complexos, mas, apontará para a necessidade de continuar a aprofundar, com liberdade, algumas questões doutrinais, morais, espirituais e pastorais. O Papa reitera que nem todas as discussões doutrinais, morais ou pastorais devem ser resolvidas através de intervenções magisteriais, pois existem maneiras diferentes de interpretar alguns aspectos da doutrina ou algumas consequências que decorrem dela. Em cada país ou região, é possível buscar soluções mais inculturadas, atentas às tradições e aos desafios locais.

Esta Exortação Apostólica pós-sinodal foi redigida recolhendo contribuições dos dois Sínodos recentes sobre a família, acrescentando outras considerações que possam orientar a reflexão, o diálogo ou a práxis pastoral, e simultaneamente ofereçam coragem, estímulo e ajuda às famílias na sua doação e nas suas dificuldades.

O Ano Jubilar da Misericórdia imprimiu um significado especial nesta Exortação, pois a mesma é uma proposta para as famílias cristãs, para que as estimule a apreciar os dons do matrimônio e da família e a manter um amor forte e cheio de valores como a generosidade, o compromisso, a fidelidade e a paciência. E, ainda, o documento se propõe encorajar todos a serem sinais de misericórdia e proximidade para a vida familiar, onde esta não se realize perfeitamente ou não se desenrole em paz e alegria.

No desenvolvimento do texto, dividido em nove capítulos, o Santo Padre começa por uma abertura inspirada na Sagrada Escritura. A partir disso, será considerada a situação atual das famílias. Em seguida serão lembrados alguns elementos essenciais da doutrina da Igreja sobre o matrimônio e a família. Alguns caminhos pastorais serão destacados, como propostas para construir famílias sólidas e fecundas segundo o plano de Deus. Depois, será lançado um convite à misericórdia e ao discernimento pastoral perante situações que não correspondem plenamente ao que o Senhor nos propõe. E, por fim, serão traçadas breves linhas de espiritualidade familiar.

Para a leitura e estudo da Exortação, observemos o conselho do Papa: “Devido à riqueza que os dois anos de reflexão do caminho sinodal ofereceram, esta Exortação aborda, com diferentes estilos, muitos e variados temas. Isto explica a sua inevitável extensão. Por isso, não aconselho uma leitura geral apressada. Poderá ser de maior proveito, tanto para as famílias como para os agentes de pastoral familiar, aprofundar pacientemente uma parte de cada vez ou procurar nela aquilo de que precisam em cada circunstância concreta. Espero que cada um, através da leitura, se sinta chamado a cuidar com amor da vida das famílias, porque elas não são um problema, são sobretudo uma oportunidade” (n. 7).

A Exortação “Amoris Laetitia” não é uma invenção do Papa, mas tem suas raízes na doutrina da Igreja sobre o matrimônio e a família, que não se trata duma doutrina feia e sem vida, pois seu ponto de partida é o kerigma, que anuncia com amor e ternura as verdades sobre o matrimônio e a família.

Os clássicos documentos sobre o matrimônio e a família anunciam esta verdade: A Constituição pastoral Gaudium et spes ocupou-se da promoção da dignidade do matrimônio e da família. O Beato Paulo VI aprofundou esta doutrina principalmente na Encíclica Humanae vitae quando destacou o vínculo intrínseco entre amor conjugal e procriação, e, na Exortação apostólica Evangelii nuntiandi salientou a relação entre a família e a Igreja. São João Paulo II dedicou especial atenção à família, através das suas catequeses sobre o amor humano, das cartas e sobretudo com a Exortação apostólica Familiaris consortio. Bento XVI, na Encíclica Deus caritas est, retomou o tema da verdade do amor entre o homem e a mulher, e, na Encíclica Caritas in veritate, destacou a importância do amor como princípio de vida na sociedade. E, finalmente, com o magistério de Francisco, esta doutrina é retomada, enfrentando as novas e desafiadoras realidades.

O Papa quer contar com a nossa ajuda para a missão com as famílias, missão que não deve se contentar com um anúncio puramente teórico e desligado dos problemas reais das pessoas: “As paróquias, os movimentos, as escolas e outras instituições da Igreja podem desenvolver várias mediações para apoiar e reavivar as famílias. Por exemplo, através de recursos como reuniões de casais vizinhos ou amigos, breves retiros para casais, conferências de especialistas sobre problemáticas muito concretas da vida familiar, centros de aconselhamento conjugal, agentes missionários preparados para falar com os casais acerca das suas dificuldades e aspirações, consultas sobre diferentes situações familiares (dependências, infidelidade, violência familiar), espaços de espiritualidade, escolas de formação para pais com filhos problemáticos, assembleias familiares. A secretaria paroquial deveria ter possibilidades de receber com cordialidade e ocupar-se das urgências familiares, ou encaminhá-las facilmente para quem possa dar ajuda. Há também um apoio pastoral que se verifica nos grupos de casais, sejam eles de serviço ou de missão, de oração, de formação ou de mútua ajuda. Estes grupos proporcionam a ocasião de dar, de viver a abertura da família aos outros, de partilhar a fé, mas ao mesmo tempo são um meio para fortalecer os cônjuges e fazê-los crescer” (n. 229). O papel da Igreja é iluminar crises, angústias e dificuldades na vida familiar. Os separados, divorciados e abandonados também estão inclusos nesse acompanhamento pastoral: “Quanto às pessoas divorciadas que vivem numa nova união, é importante fazer-lhes sentir que fazem parte da Igreja, que ‘não estão excomungadas’ nem são tratadas como tais, porque sempre integram a comunhão eclesial” (n. 243).

A família pode contar com a Igreja. Pois, a Igreja é família de famílias, constantemente enriquecida pela vida de todas as igrejas domésticas. A Igreja é um bem para a família, a família é um bem para a Igreja.

Queridas famílias, que o Senhor nos conceda ânimo e alegria para anunciar o Evangelho com entusiasmo e ardor.

 

Pe. Milton Rogério Vicente
Ministério Cristo Sacerdote

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