Sou obrigado a participar de um grupo de oração ?  

Sou obrigado a participar de um grupo de oração?

Calma….antes de tudo, o objetivo da presente reflexão não é criar atrito com os grupos de oração da Renovação Carismática Católica (RCC), que tanto bem fazem à Igreja quando caminham em unidade com ela, levando inúmeros fiéis a um verdadeiro encontro com Deus. A intenção é aprofundar o nosso conhecimento sobre temas como liberdade, compromisso e serviço, a partir da perspectiva cristã.

Podemos aplicar a pergunta sobre uma pretensa obrigatoriedade de participar ou não de um grupo da RCC a qualquer outro movimento ou pastoral existente na Igreja. Poderíamos, então, questionar: sou obrigado a ser catequista? Ou a participar do Apostolado da Oração? Devo ser Legionário(a) de Maria? Participar do Ministério de Música? Ser acólito ou coroinha? E assim por diante.

Mas a resposta para todas elas é simples: Não. O cristão não deve se sentir obrigado a fazer algo na Igreja. Porque a obrigação soa como peso, fardo, imposição, algo difícil de lidar. E assim, a caminhada de fé torna-se algo insuportável. Certamente, não é dessa forma que Cristo Jesus nos quer no seu seguimento.

Por outro lado, não sentir-se obrigado a assumir tarefas na comunidade não significa que devemos nos contentar apenas em participar ou assistir à Missa (sim, porque muitos apenas assistem-na, sem se esforçar em compreender o que é celebrado), ir para casa e pronto. É importante, mas é pouco. Podemos ir além.

Se olharmos toda a Escritura, veremos que a relação do ser humano com Deus é pautada na liberdade. O Senhor se revela ao Homem, propõe a ele uma aliança e dele aguarda uma resposta. Fica sempre na expectativa de uma resposta positiva, mas respeitará caso a opção seja contrária.

Portanto, o nosso servir no grupo de oração, na Catequese, na Liturgia, nos encontros de jovens ou em qualquer outra pastoral ou movimento da Igreja deve nascer de uma decisão livre, consciente e responsável. Precisa ser consequência da experiência de ter encontrado a Jesus e ter permitido envolver-se por seu imenso amor.

Vemos essa dinâmica em todo o Novo Testamento. Os discípulos, ao ouvirem de Jesus o convite “Segue-me”, imediatamente largavam tudo e colocavam-se a caminho com o Mestre. Entre os que foram curados pelo Senhor, muitos também se dispunham a servi-lo, como a sogra de Pedro (cf. Mt 8, 15); ou se comprometiam com outros tipos de gestos concretos, como Zaqueu, que se propõe a devolver o dinheiro que havia desviado como cobrador de impostos em quantias superiores às originais. Constatamos, então, que a experiência de Deus é algo transformador!

Antes de nos preocuparmos em que grupo ou pastoral vamos servir, temos que nos ocupar de crescer na intimidade com Deus, em termos com Ele uma verdadeira relação de Pai e filho(a), de amigos. “Já não vos chamo servos, mas sim, amigos, porque vos dei a conhecer” (cf. Jo 15, 15), diz Jesus a seus discípulos e a nós. Essas palavras deixam claro que, mais importante que o servir, é a nossa amizade com o Senhor.

O serviço será consequência. E aí, podemos escolher o lugar onde sabemos que nossos dons serão aproveitados da melhor maneira possível: no Grupo de Oração, na Catequese, entre tantas outras pastorais e movimentos. Pois, na Igreja, há espaço para todos!

Por: Erickson Silva

Anúncios